
Foto: livro II – Sanches de Baêna (Fuzileiros/Crónica dos Feitos de Angola)
Primeiros fuzileiros em Angola
O Destacamento de Fuzileiros Especiais nº 1 (DFE1) partiu para Angola a 10 de Novembro de 1961, tendo desembarcado em Luanda num DC6 da Força Aérea. Era a primeira unidade da nova infantaria da Marinha a ir para o Ultramar, constituído com pessoal formado nos dois primeiros cursos (05-06-1961 a 05-08 e 14-08 a 14-10-1961). Os sargentos provinham da classe de monitores, os marinheiros da classe de artilheiros e manobras e os grumetes da incorporação de 1960.
O DFE1 era comandado pelo 1º tenente Augusto Henrique Coelho Metzener e dele faziam parte os oficiais 2ºs tenentes Luís Camós de Oliveira Rego e José Júlio Abrantes Serra e o Subtenente FZE da Reserva Naval (RN) João Pedro Gião Toscano Rico; os 2ºs Sargentos FZ Luís Alberto Marques Pereira, Bernardino Rodrigues, João Alves da Encarnação e o 2º SAR H Sebastião Eduardo Nunes. Compunham as praças 19 marinheiros, 18 primeiros Grumetes (1GR) e 41 segundos Grumetes (2GR). Ainda não havia praças com o posto de cabo. Só mais tarde é que se foram formando da própria classe de Fuzileiros, bem como os sargentos, à medida que foram sendo promovidos.
A chegada do DFE1, o contra-almirante Reboredo, Subchefe do Estado-Maior da Armada havia dirigido as seguintes recomendações ao Comandante Naval de Angola: «É preciso que eles tenham um período de adaptação à África. As condições são muito diferentes, e que só concorram com os pára-quedistas ou bons caçadores especiais após essa adaptação. É uma força que vai impregnada de espírito de Corpo e de panache» ( Apud Sanches de Baêna, Liv II, p. 38).
O DFE1 ficou inicialmente aquartelado nas Instalações Navais da Ilha do Cabo (INIC) em Luanda e em finais de Novembro, a bordo das fragatas Diogo Gomes e Pêro Escobar rumou para Moçâmedes, dando início a operação «Calema». Foram realizados exercícios vários nas principais cidades ribeirinhas que serviram para a adaptação dos Fuzileiros às condições africanas e simultaneamente uma operação de charme e esperança junto das populações e colonos. Segundo Sanches de Baêna transcreve na sua obra, a imprensa local não regateava elogios às novas forças especiais. Assim, e em Luanda, o jornal O Comércio pela voz do seu correspondente em Moçâmedes:
«O que vimos neste primeiro exercício dos fuzileiros navais deixou-nos maravilhados – e porque não dizê-lo? – espantados. Diabos autênticos estes rapazes da Armada! Dir-se-ia que têm feitiço e feitiço grande, como observara um velho pescador que os remirou longamente soltando uma exclamação de surpresa.
(…)
Uma admirável demonstração de que a Armada pode sentir-se satisfeita com a preparação desta gente! Para nós um motivo para confiar! E, para todos, militares e civis, um novo testemunho de que a Marinha de Guerra nos trouxe outro contributo poderoso para a luta pela sobrevivência nacional».
Em Dezembro, o DFE1 efectua três pequenas operações de limpeza na Zona de Intervenção do Norte (ZIN) conjuntamente com uma ou duas companhias do Batalhão de Pára-Quedistas nº 21 e companhia de Caçadores, que, naquelas que juntando Pára-Quedistas ficaram conhecidas como perações «Parafuso» e que ocorreram nas regiões de São Salvador e Buela.