segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A Marinha e os Fuzileiros em África



Foto: livro II – Sanches de Baêna (Fuzileiros/Crónica dos Feitos de Angola)


Primeiros fuzileiros em Angola

O Destacamento de Fuzileiros Especiais nº 1 (DFE1) partiu para Angola a 10 de Novembro de 1961, tendo desembarcado em Luanda num DC6 da Força Aérea. Era a primeira unidade da nova infantaria da Marinha a ir para o Ultramar, constituído com pessoal formado nos dois primeiros cursos (05-06-1961 a 05-08 e 14-08 a 14-10-1961). Os sargentos provinham da classe de monitores, os marinheiros da classe de artilheiros e manobras e os grumetes da incorporação de 1960.
O DFE1 era comandado pelo 1º tenente Augusto Henrique Coelho Metzener e dele faziam parte os oficiais 2ºs tenentes Luís Camós de Oliveira Rego e José Júlio Abrantes Serra e o Subtenente FZE da Reserva Naval (RN) João Pedro Gião Toscano Rico; os 2ºs Sargentos FZ Luís Alberto Marques Pereira, Bernardino Rodrigues, João Alves da Encarnação e o 2º SAR H Sebastião Eduardo Nunes. Compunham as praças 19 marinheiros, 18 primeiros Grumetes (1GR) e 41 segundos Grumetes (2GR). Ainda não havia praças com o posto de cabo. Só mais tarde é que se foram formando da própria classe de Fuzileiros, bem como os sargentos, à medida que foram sendo promovidos.
A chegada do DFE1, o contra-almirante Reboredo, Subchefe do Estado-Maior da Armada havia dirigido as seguintes recomendações ao Comandante Naval de Angola: «É preciso que eles tenham um período de adaptação à África. As condições são muito diferentes, e que só concorram com os pára-quedistas ou bons caçadores especiais após essa adaptação. É uma força que vai impregnada de espírito de Corpo e de panache» ( Apud Sanches de Baêna, Liv II, p. 38).
O DFE1 ficou inicialmente aquartelado nas Instalações Navais da Ilha do Cabo (INIC) em Luanda e em finais de Novembro, a bordo das fragatas Diogo Gomes e Pêro Escobar rumou para Moçâmedes, dando início a operação «Calema». Foram realizados exercícios vários nas principais cidades ribeirinhas que serviram para a adaptação dos Fuzileiros às condições africanas e simultaneamente uma operação de charme e esperança junto das populações e colonos. Segundo Sanches de Baêna transcreve na sua obra, a imprensa local não regateava elogios às novas forças especiais. Assim, e em Luanda, o jornal O Comércio pela voz do seu correspondente em Moçâmedes:
«O que vimos neste primeiro exercício dos fuzileiros navais deixou-nos maravilhados – e porque não dizê-lo? – espantados. Diabos autênticos estes rapazes da Armada! Dir-se-ia que têm feitiço e feitiço grande, como observara um velho pescador que os remirou longamente soltando uma exclamação de surpresa.
(…)
Uma admirável demonstração de que a Armada pode sentir-se satisfeita com a preparação desta gente! Para nós um motivo para confiar! E, para todos, militares e civis, um novo testemunho de que a Marinha de Guerra nos trouxe outro contributo poderoso para a luta pela sobrevivência nacional».

Em Dezembro, o DFE1 efectua três pequenas operações de limpeza na Zona de Intervenção do Norte (ZIN) conjuntamente com uma ou duas companhias do Batalhão de Pára-Quedistas nº 21 e companhia de Caçadores, que, naquelas que juntando Pára-Quedistas ficaram conhecidas como perações «Parafuso» e que ocorreram nas regiões de São Salvador e Buela.

2 comentários:

  1. Amigo Alvaro, este nao é o local indicado para citar o meu "mécontentement" sobre o que voce publicou no livro de blogues! Tenho a lembrar-lhe que o que vem sobre mim nao foi retirado d'um blog, mas de e:mails trocados entre nos e voce cometeu uma violaçao à correspondencia ou seja vida privada d'outrem.

    A respeito da peripécia prenciada pelo Alves, tenho a dizer que: jà là vao 45 anos ou 46 e um Fuzo diz que na nossa época nao se cometem essas atrocidades. Os fuzos tamb&m foram atroces ( um grumete do 6°DFE matou èum pescador nos canais da Quissanga e chegou a sargento. Em 1969 no Cobué um marinheiro FZE numa operaçao cortou uma orelha d'um cadavre e meteo-a a conservar num frasco cheio d'àlcool. Este tipo nao tera insonias ?
    Teria muito que dizer mas para que !
    Filipe

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    1. Caro "Anónimo", respectivamente ao seu primeiro parágrafo, trata-se de um comentário particular pelo que passarei ao segundo. É um facto que em todas as guerras se cometeram atrocidades e barbaridades. Não as procuro de alguma forma desculpar, mas por vezes é necessário analisar o contexto em que determinados actos são praticados. Refiro-me à capacidade psicológica de cada indivíduo de lidar com a barbárie que por vezes se lhe apresentava. Não é desculpa, mas não julgo ser justo haver uma generalização a partir de casos pontuais.
      Boa tarde.

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