sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Marinha e os Fuzileiros em África


A Importância da criação do Quadro de Oficiais da Reserva Naval

Outro dos problemas que a Marinha se defrontava desde a década de quarenta do sec. XX, era um programa para a formação de oficiais da reserva para reforçar o Quadro Permanente, sobretudo em determinadas especialidades como a engenharia mecânica, eléctrica e química e depois das especialidades médica. Foram feitos estudos sobre o modelo da Marinha francesa e da Marinha Real Inglesa até que por um diploma de 26 de Novembro de 1957, a Marinha portuguesa passou a abranger na sua reorganização reservas do pessoal. O Exército objectou, com receio de que este tipo de recrutamento se fizesse à sua custa, com prejuízo de um programa semelhante existente nos seus quadros. Provou-se que não tinha razão – dado a grande dimensão dos quadros do Exército em comparação com os da Marinha. A criação do Quadro de Oficiais da Reserva Naval (ORN) veio a revelar-se sensata, útil e de grande alcance nos treze anos de conflito africano.
Os candidatos aceites ao curso da ORN deviam completar duas fases ou ciclos de instrução. A primeira de carácter básico, envolvendo treinos físicos e cursos de instrução à guerra naval (idêntico para todos os cadetes). O segundo ciclo, apoiado no primeiro, era mais sofisticado e direccionado para o desenvolvimento de conhecimentos práticos dos candidatos em cada especialidade naval. Uma vez completados estes dois ciclos de instrução com sucesso, cada cadete era admitido como subtenente com a obrigação de prestar serviço por um período mínimo de um ano, renovável por períodos sucessivos até ao máximo de cinco. O oficial da RN estava obrigado a servir no Ultramar por um período não inferior a um ano e era logo promovido a 2º tenente à data de partida da metrópole. A promoção a 1º tenente acontecia ao fim de cinco anos (com desempenho recomendável no posto anterior) e era o posto máximo que podia atingir (John P. Cann p. 123). Desta forma, como dirá o refrão popular “matava-se dois coelhos de uma só cajadada”: Evitava os perigos inerentes à antiguidade e promoção do corpo de oficiais dos Quadros Permanentes e conseguia aumentar o número de oficiais subalternos com boa preparação. Este reforço dos Quadros de Oficiais da Marinha veio a ser imprescindível para as operações na guerra de contra-subversão em África. Na realização dos três primeiros cursos de instrução na Escola Naval (1958-1959-1960) formaram-se novas categorias de oficiais num total de sete classes:
1. Marinha (M)
2. Engenheiros de Construção Naval (ECN)
3. Médicos Navais
4. Farmacêuticos Navais (FN)
5. Engenheiros Maquinistas Navais (EMQ)
6. Administração Naval (NA)
7. Fuzileiros (FZ)
Um quarto curso, iniciado em Outubro de 1961, formaram-se 44 cadetes, 9 dos quais eram os primeiros fuzileiros da Reserva Naval. Depois em Maio de 1966 foi criada uma nova classe de Técnicos Especialistas (T.E.). Com refere John P. Cann, Foram realizados 25 cursos e formados 1.712 oficiais da reserva naval. Muitos destes oficiais foram seleccionados para comandar unidades navais em todo o Ultramar e lideraram com sucesso unidades de fuzileiros.
A Marinha tinha entrado na guerra com falta de pessoal não obstante os esforços e melhoramentos desenvolvidos no sentido de antecipar tais necessidades. Não era só a falta de pessoal como também de navios que acusavam uma idade avançada.

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