sábado, 7 de março de 2009

E depois do meu regresso de Angola de 1965

Os homens são à dimensão dos seus actos

Seja qual for o caminho que o homem percorre, os seus passos são sempre à dimensão dos seus pés (Al-Mutanabbi)

Álvaro Dionísio.
Em Janeiro de 1966, com o posto de Marinheiro Fuzileiro Especial passei à disponibilidade. A vida cá fora foi difícil e tive de começar tudo do zero … Tinha porém três coisas a meu favor: a idade (20 anos), o serviço militar cumprido e a vontade de vencer. Não tinha uma profissão qualificada nem era portador de habilitações literárias suficientes para aceder, facilmente, a empregos de escritório. Valeu-me, durante alguns tempos, os meus tios que viviam em Lisboa, casa para onde fui morar. Como um dos meus objectivos era estudar, fui estudar à noite… como não surgiam empregos melhorados fui trabalhar para as “Obras”. Logo no primeiro dia fui despedido! Nem foi preciso invocar a razão ou o período experimental para o despedimento… mas ela existia: tinha estado à conversa com um companheiro de trabalho. Mas no dia imediato já estava outra vez colocado! Aquela zona, os Olivais, era ainda um deserto mas entretanto iniciou-se a construção em força. A minha inexperiência, no princípio, não deu para disfarçar o facto de nunca ter trabalhado no “ramo,” pois não sabia manobrar uma picareta: quando é que devia utilizar convenientemente o bico ou a pá! O capataz da obra apercebeu-se disso e perguntou: você nunca fez estes tipo de trabalhos, pois não? Disse-lhe a verdade, compreendeu, e simpaticamente ensinou-me. De regresso à casa tomava o meu banho, jantava e ia para as aulas à noite… No dia seguinte, creio que às oito horas, lá estava a dar no duro outra vez...
Tive ainda um emprego numa loja de Parafusos, lá para as bandas Corpo Santo, Rua de S. Paulo e não me dei lá bem! Aviar fregueses que pediam porcas de uma polegada e três quartos; parafusos de cabeça sextavado, de rosca de ferro ou de madeira… e ainda por cima levar as encomendas aos clientes, como um moço de recados? – Não, antes a construção civil...
Finalmente, lá surgiu o tão esperado emprego de escritório, um emprego público: – Comissariado do Desemprego – Ministério das Corporações e Previdência Social.
Em finais de 1967, casei-me. Em Outubro de 1968 nasceu a minha primeira filha.
Em 1970, fui para Moçambique na expectativa de uma vida melhor, tendo por lá permanecido três anos. Empreguei-me como escriturário numa Fábrica de Açúcar, em Xinavane – Sociedade Agrícola do Incomati, SARL – que fica 120 quilómetros a norte de Lourenço Marques, onde nasceu a minha segunda filha, em 1971.
Nunca abandonei os estudos, tendo concluído, inclusive, o antigo 5º ano dos Liceus, lá.
Em Setembro de 1973, regresso à Metrópole e em Novembro emprego-me na Caixa de Previdência e Abono de Família do Comércio do Distrito de Lisboa como administrativo e a categoria de aspirante.
Continuo a estudar, faço o antigo 7º ano, sou admitido na Faculdade de Direito de Lisboa em 1976/77 e em 1981 concluí o Curso.
Faço o estágio de advocacia durante ano e meio, sou aprovado, e inscrevo-me na Ordem de Advogados onde me mantenho aproximadamente durante dois anos. Como era a magistratura que queria seguir, pedi a minha suspensão da Ordem.
Em 1982, por concurso ascendo à carreira técnica superior, na Caixa de Previdência da CUF, com a categoria de Técnico Superior de Serviço Jurídico e de Contencioso.
Em 1986, sou nomeado Vice-Presidente da Caixa da CUF. Com a integração desta Caixa nos Centros Regionais de Segurança Social, sou nomeado Chefe de Divisão em 1988 para ocupar o cargo de Delegado da Delegação de Amadora do Centro regional de Segurança Social de Lisboa.
Em 1990, sou nomeado Director de Serviços de Administração de Pessoal no Centro Nacional de Pensões.
Em 1993 e terminada a comissão regresso ao Centro Regional de Segurança Social de Lisboa com categoria de assessor (jurista) e Chefe de Divisão.
Em Fevereiro de 1994, a minha mulher faleceu vítima de um cancro mamário. Tinha 49 anos e residíamos na Póvoa de Santa Iria. A filha mais velha tinha concluído o curso de Economia e festejamos junto esse acontecimento. Ainda com a minha mulher assistimos à queima das fitas da filha, mais nova, mas já não assistiu a sua licenciatura (Filosofia) nem casamento, nascimento da neta ou doutoramento da mais velha.
Em 1996 passei a exercer as funções de Chefe de Divisão de Consulta Jurídica na Direcção de Serviços Jurídicos e de Contra Ordenações do Centro Regional de Lisboa.
Em Agosto de 1999 voltei a casar.
Em 04-02-2000, por concurso, sou nomeado Director de Serviços no mesmo Centro Regional de Lisboa para a área da Gestão de Regimes.
Em 94-08-2000, por concurso, sou nomeado Director de Serviços para a área de Identificação e Registo de Remunerações no Serviço Sub-Regional de Lisboa.
Em 2001 – Nasce a minha neta e nesta data sou nomeado Director de Unidade da Unidade de Enquadramento, Vinculação e Registo de Remunerações, cargo que foi desempenhado até à minha aposentação em Março de 2006.
Assim, quando se deu do primeiro encontro do DFE4, em Março de 2005, ainda estava no activo e ainda podia permanecer… mas há um tempo para tudo, e entendi que o meu tempo tinha chegado…










O passado fugiu, o que esperas está ausente, mas o presente é teu.(Provérbio árabe)
1ª Fase da minha vida (Zero-aos 16 anos)

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3 comentários:

  1. Parabens!

    Pelo que conceguiste na vida,mas vejo que valeu a pena,deves de te sentir orgulhoso.

    Adoramos ver as fotos da tua familia,que linda recordaçâo.

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  2. Olá Álvaro!
    Daqui o Leiria, não podia deixar que este teu post fosse lá para o fim da formatura dos posts sem comentar. Quero porém dar-te os meus sinceros parabéns pelos teus “accomplishments” na vida!
    Nota-se essencialmente que és possuidor de dois excepcionais ingredientes se, assim se pode dizer: - vontade férrea em vencer na vida e a excelente qualidade de massa cinzenta que tens na cabeça, aquela que o sargento Pastor tantas vezes se referia nas suas aulas de armas e artilharia.
    Mais uma vez parabéns!

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